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AS ORIGENS DA FAMÍLIA MURIALDO.

Na província italiana do Piemonte, na parte de terra que se estende desde o rio Pó até o mar, Deus colocou uma região cheia de encanto e poesia, com colinas e montanhas que tocam o céu e com um número sem fim de vales que desembocam na planície como rios no mar. Um grande curso de água, o Tânaro, turbulento e impetuoso, recolhe as águas de diversos afluentes que serpenteiam naqueles vales denominados pela população local com o nome de LANGHE, isto é, Línguas.

Na beira de um destes afluentes, o Bórmida, surge um povoado de 2000 habitantes chamado MURIALDO. Se você for para lá e perguntar a um velho qualquer o que significam as ruínas de um antigo castelo, que ainda parece querer pontificar sobre aquele vilarejo, ele lhe matará toda curiosidade com a sabedoria peculiar não só dos velhos, mas dos velhos daquela região que, embora de uma instrução convencional que deixa a desejar, têm um senso de compreensão das coisas muito intenso e profundo.

No ano de 1100, quando o Brasil ainda devia dormir por 400 anos antes de ser descoberto por Cabral, morava naquele castelo uma família descendente dos marqueses de Ceva, que era como a capital daquelas terras. Esta família, por morar num lugar cheio de penhascos e num castelo com muros imponentes, era conhecida pelas pessoas cultas por MURI ALTI, expressão latina da língua da época que significa MUROS ALTOS, enquanto, pelo povinho, que de latim gramatical pouco sabia, por MURI ALDI, o que, com o tempo passou a ser MURIALDO.

A família Murialdo era um feudo de guerreiros valentes. Nunca se rendiam diante do inimigo a não ser quando a razão lhes dizia que a força já não bastava. Foi o que aconteceu em 1450, quando oprimidos pelos poderosos vizinho do Monferrato, do Roeri e do Astigiano, tiveram que abandonar a montanha bravia para se estabelecer na planície, na cidade de Carmagnola, a 25 Km de Turim. Lá os Murialdo se estabeleceram poderosos e valentes.

Em 1522 a peste grassou naqueles lugares. Mas os Murialdo não foram atingidos por aquela calamidade, porque, com 12 outras famílias de nomes antigos e de poder, se colocaram sob a proteção da Imaculada Conceição de Maria, o que mostra que eram também piedosos. E desde aquele tempo em diante os descendentes sempre jejuaram no dia 7 de dezembro, vigília da festa da Imaculada Conceição, por gratidão à graça alcançada.

Em 1744 um dos Murialdo, de nome João Batista, deixou Carmagnola e se estabeleceu em Turim. Já pai de 11 crianças, em 1755 deu à luz a décima segunda, a Leonardo Franchino, que foi um agente de câmbio, tão absorvido por esta atividade bancária que pensou em casar somente aos 40 anos. A esposa que escolheu era uma descendente dos condes de TANA, tal qual a mãe de São Luiz Gonzaga. Chamava-se Teresa Maria Rhó. Leonardo Franchino Murialdo e Teresa Maria Rhó foram os pais de São Leonardo Murialdo.

Ele foi um homem com um sentido de justiça muito profundo. Um fato o define fielmente. Na iminência da morte quis fazer um acréscimo ao testamento, destinando grande quantia de dinheiro a obras de caridade para compensar os danos involuntariamente causados a pessoas no exercício de sua profissão.

Teresa tinha 18 anos a menos do que o esposo, mas o igualava e até superava em virtude. São Leonardo dirá que foi "um perfeito modelo de esposa e de mãe cristã." Os dois tomaram a sério o emblema da fámilia que trazia a escrita HAUD MORI (não morrer) e geraram nove filhos: sete meninas e dois meninos. Ter família numerosa era tradição dos Murialdo. O pai de Franchino criou 12 filhos; um dos tios chamado Luis 23; Ernesto, irmão de São Leonardo, nove. Leonardo foi o penúltimo da série e nasceu aos 26 de outubro de 1828.

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