Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mario Aldegani |
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Em Londrina (PR), por ocasião da realização do I Fórum Pastoral da Família de Murialdo – “A Família de Murialdo a serviço dos últimos”, acontecido de 26 de abril a 03 de maio, o Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mario Aldegani, concedeu uma entrevista à equipe da revista “Agir & Calar”
A&C - Como surgiu a idéia da realização deste Fórum?
Pe. Mário Aldegani – Esta idéia surgiu no Capítulo Geral de 2006 (espécie de Assembleia Internacional da Congregação) que realizamos em Fazenda Souza – Caxias do Sul - RS. Naquela ocasião, ao tratarmos dos encontros internacionais da Família de Murialdo programamos também um momento, no sexênio, para refletir sobre este tema central do Carisma de São Leonardo Murialdo. Trata-se de um tema pastoral, ou seja, esse é o tema central da nossa pastoral: as crianças e adolescentes pobres e abandonadas. Depois, esse Fórum foi preparado não só como iniciativa dos Josefinos, mas como evento de toda a Família de Murialdo que vem crescendo nos últimos anos.
A&C - Você disse, em sua palestra aqui no Fórum, que cuidar das crianças, adolescentes e jovens pobres é um ato político. Por quê?
Pe. Mário Aldegani – Porque alguém não pode interessar-se dos problemas e das dificuldades da sociedade, dos sofrimentos das crianças, dos adolescentes e jovens pobres e abandonados sem ver a necessidade de mudar as leis injustas que existem. Trata-se de integrar a ação em favor da causa como um processo político. Estas ações são, acima de tudo, um ato político.
A&C - Murialdo cuidou das crianças, adolescentes e jovens abandonadas. O campo de experiência dele era o Artigianelli. Estava atento aos sinais daquele tempo. Quais são hoje os sinais que desafiam e quais as ações mais emergentes para a Congregação?
Pe. Mário Aldegani – Esta manhã, escutando as primeiras apresentações das atividades sociais das Províncias, fui me dando conta das características principais do nosso trabalho com os pobres. Creio que se confirmará nas demais apresentações de hoje. E as características são: primeiro - este é um trabalho em rede; segundo - é um trabalho num território que envolve a política e que envolve as instituições. É um trabalho com os leigos. Aliás, a ação dos Josefinos só é possível com a participação dos leigos; terceiro - é um trabalho que nos conduz ao coração do nosso carisma.
A&C – O senhor acha que este Fórum pode contribuir para o bem-estar e a promoção das crianças do mundo inteiro?
Pe. Mário Aldegani – Eu acredito que a experiência do Fórum para cada um dos participantes é a de se tornar uma experiência muito enriquecedora, motivadora, entusiasmante. Assim, todos os participantes certamente crescerão em suas atividades com as crianças, aumentarão o entusiasmo, terão uma força ainda maior para continuar seu compromisso com os pequeninos, pobres e abandonados.
Creio também no confronto entre nós. Todos podemos aprender algo uns dos outros. Por exemplo: gostei muito do que apresentou hoje de manhã a Província Brasileira, de modo especial do seu Relatório e Balanço Social. Acredito que nós, os Conselheiros Gerais, temos que aprender a fazer este balanço social das nossas atividades. Isso é importante para entrar nessa rede de ação articulada, com os que querem fazer o mesmo bem e para sensibilizar as instituições políticas no bem que se faz e do que também devem fazer. Para mim, a Congregação inteira tem que fazer o seu Relatório Social, seu Balanço Social para que seja conhecida a sua ação.
Hoje o trabalho apostólico não é dos Josefinos, senão desta realidade maior que são os Josefinos, os Leigos comprometidos e Colaboradores, a Família de Murialdo. Essa é a realidade que nos impulsiona para frente na realização destas ações sociais. O Balanço Social também o fazem os bancos, as indústrias, todas as empresas, inclusive as que não têm responsabilidade social, e nós a temos, pois esse é o primeiro objetivo da nossa ação.
Posso dizer que a forma com que este Fórum pode nos ajudar é que podemos aprender sobre o que se faz em outras realidades e está dando certo e realizá-lo em nossas atividades, é claro que a maneira pode ser diferente. Porém, essa é uma das grandes riquezas que teremos deste Fórum.
A&C - O Seminário Pedagógico de Buenos Aires, no final do ano passado, apontou para a Pedagogia do Amor. E aí? Isso pode fazer a diferença na promoção das crianças, adolescentes e jovens empobrecidas?
Pe. Mário Aldegani – É como tentei explicar hoje de manhã, na minha palestra. Temos que atuar com a Pedagogia do Amor em nossas atividades com os pobres e abandonados. Eles são os primeiros destinatários da nossa Pedagogia do Amor. Este é o desafio da marca das ações que estamos fazendo no mundo. O desafio principal para nós, da Família de Murialdo, é precisamente este: manter a nossa identidade como murialdinos. Fazer este trabalho social com o espírito murialdino que compreende a Pedagogia do Amor. Porque essa é, como dizemos frequentemente, a característica singular de nosso carisma.
A&C - Pe. Mario, você é o atual Coordenador Geral da Congregação dos Josefinos de Murialdo. Qual é o seu sonho para a Congregação?
Pe. Mário Aldegani – O meu sonho é que ao redor da Congregação, ao redor de cada comunidade Josefina viva uma comunidade murialdina. Que esta seja a célula da Família de Murialdo. Assim, que em 2012, 2018, não sei, possamos ver no mundo uma realidade que é maior que a Congregação. Onde nossa Congregação tem a tarefa de animar e de formar um grupo de gente, de pessoas de todos os estados de vida que estão unidas pelo carisma murialdino. O meu sonho é que cresça a Congregação, mas dentro deste movimento maior que é a Família de Murialdo. Penso que esta é também a única forma que fará com que a Congregação possa crescer, viver e renovar-se.
A&C - O Senhor também foi professor, antes de ser Superior Geral da Congregação. O que você recomenda aos educadores e colaboradores dos Josefinos no Brasil?
Pe. Mário Aldegani – A mensagem está na palestra desta manhã. Em algumas páginas falo do meu coração de educador. Creio que o ponto fundamental é este: não podemos trair as crianças e os adolescentes. Sobretudo as crianças e adolescentes pobres e abandonadas que já foram traídas tantas vezes; por tanta gente e tantas instituições... Não podemos traí-las. Não as traíamos com um serviço que não seja uma dedicação completa, que não seja uma dedicação desinteressada; que não seja algo para nós mesmos, mas verdadeiramente para o bem deles. Ao menos nós não os traíamos.
A&C - Uma mensagem para os leitores do Agir e Calar
Pe. Mário Aldegani – Primeiro quero cumprimentar aos responsáveis por esta Revista. Há um ano ela se renovou. Quando, pela primeira vez vi a renovação gráfica, enviei felicitações ao Pe. Raimundo porque ela ficou muito bonita. Vocês têm um trabalho profissional verdadeiramente expert. Sinto que do ponto de vista gráfico ela está melhor que a “Vita Giuseppina”. E é disto que gosto. A mensagem é que “fare e taccere” (agir e calar) precisa ser bem compreendido. Não podemos nos equivocar neste lema. É “Agir e Calar”, porque preferimos agir que calar, porém, quando agirmos precisamos também falar. Falar para que as pessoas conheçam o bem que a Família de Murialdo faz em todo o mundo. |