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O “ROSTO” DA JUVENTUDE
Uma contribuição para o Setor Juventude


Pe. Marcionei Miguel da Silva

A juventude clama por um rosto em nossas paróquias, escolas e obras sociais. Nunca é o bastante o trabalho com os jovens.
Nesse campo “a pastoral dá o que pensar ”, como diz Agenor Brighenti. A complexidade do trabalho com a juventude nos faz refletir sobre situações novas numa “Igreja perplexa ”. Somos chamados para a “Evangelização da Juventude ” porque somos “Discípulos Missionários ”. O Frei Clodovis Boff nos apresenta “Uma Igreja para o próximo milênio ”.

No seu entendimento a Igreja deverá ser: a) espiritual ou mística; b) querigmática (anunciadora, missionária, pregadora da boa nova do Reino de Cristo); d) hospitaleira de todas as diferenças; e) misericordiosa diante de toda a miséria humana; e) e finalmente de esperança. Nesses cinco eixos Clodovis sintetizou o que será necessário não só para a Igreja no seu todo, mas também para o trabalho com a juventude em nossas paróquias.

Poderíamos dizer que a dimensão “mística” está ligada com a nossa espiritualidade. A Regra dos Josefinos de Murialdo diz que “a oração constante é também fruto de uma profunda vida de fé, através da qual os confrades se entregam a Deus com coragem e confiança, convictos de que sua vida está mais segura nas mãos de Deus do que nas suas próprias ”.

A segunda intuição fala do anúncio, mais precisamente da questão missionária. A V Conferência de Aparecida aponta para a urgência da missão na evangelização. A missão, para o cristão, não é uma opção, mas um dever. “Nós como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo ”. A terceira proposta de Clodovis é a questão da “hospitalidade”.

O Pe. Marcos Sandrini, no retiro que orientou aos confrades Josefinos no Seminário de Fazenda Souza no ano de 2008, dizia que a Igreja Católica é universal, isto é, para todos por causa da hospitalidade. Quem sabe acolher inclui. Só quem ama é capaz de ser hospitaleiro.

A juventude, segundo constata a pesquisa do Instituto Cidadania , está “migrando” do campo para a cidade. Há um inchaço nas grandes cidades. Esses jovens precisam de acolhida, de carinho, de compreensão. O trabalho com a juventude não pode ficar restrito aos nossos muros, mas deve ser ampliado para além de nossos caprichos.
 
A Província brasileira apresentou a proposta da JAMUR (Juventude Amiga de Murialdo) que deve ser construída a partir da mística vivida por São Leonardo Murialdo em sintonia com a Pedagogia da Pastoral da Juventude segundo as linhas do Setor Juventude.

No quarto tópico Clodovis aponta para a misericórdia. “E Jesus disse à mulher: “Os teus pecados estão perdoados”.Os convidados começaram a se perguntar: “Quem é este que perdoa até os pecados?” E Jesus disse à mulher: “A tua fé te salvou. Vai em paz”! (Lc 7, 48-50). São Leonardo Murialdo, citando 1Tm 1,16 , nos fala do “Amor misericordioso de Deus” em seu “Testamento Espiritual .

Com os jovens a misericórdia deve ser a nossa “carta de apresentação”. Dada a fragilidade que eles carregam em seus corações, não é possível exigir deles logo no primeiro encontro, o tão destacado e comentado “Protagonismo Juvenil ”.

Carlo Maria Martini, nos fala da caminhada dos Doze . Nesta meditação o destaque é o Evangelho de Marcos. A preocupação é sobre o itinerário dos Doze. Constata o autor que a menção aos Doze é uma freqüência. No capítulo terceiro: “Instituiu Doze” (3,14); repetia em 3,16: “Fez os Doze”. A segunda menção é encontrada no capítulo seguinte: “Quando ele ficou sozinho, os seus, junto com os Doze, perguntaram-lhe o sentido das parábolas” (4,10).

Depois desse itinerário, diz Martini, podemos afirmar: “os Doze acompanham o caminho de Jesus desde sua primeira afirmação até a prova final ”. Jesus é sempre misericordioso e espera a nossa resposta de amor. No grupo de Jesus havia um com o coração deturpado, mas em nenhum momento Jesus o exclui. Mesmo não conseguindo segurar todos no grupo, Jesus não desistiu de nenhum deles.

É nesse sentido que Clodovis aponta para a Esperança. Enquanto houver esperança sempre haverá utopia. Onde mora a esperança ali está a salvação. Judas abandonou os Doze porque perdeu a esperança na salvação. É preciso saber cuidar da vida com “Gotas de Sabedoria”.

A porta de entrada da Evangelização da Juventude é o amor ao Senhor. “Amarás o Senhor teu Deus” (Dt 6,4-6) e todos os projetos terão consistência no Evangelho. Deixemos-nos guiar por Jesus num verdadeiro trabalho em Rede para podermos estar com Ele e por Ele ser ouvido quando a alegria pela missão estiver comprometida pela nossa indecisão.
ós somos os Doze. Como anda nosso itinerário com Jesus Cristo a partir da juventude?


PARA  CONHECER
Rede Brasileira de institutos de juventude acesse:

Site: www.pj.org.br


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