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24 de agosto de 2026
XIII Seminário Nacional fortalece a Rede de Assistência Social Murialdo e reafirma compromisso com a garantia de direitos
Entre os dias 14 e 16 de agosto de 2026, profissionais e representantes das obras sociais da Rede Murialdo, que tem como gestor Pe. Welton Andrade, vindos de diferentes regiões do Brasil, reuniram-se em Brasília (DF) para o XIII Seminário Nacional da Rede de Assistência Social Murialdo. Com o tema “Rede de Assistência Social Murialdo: transformando propósito em prática”, o encontro foi um espaço de formação, reflexão, partilha de experiências e construção coletiva de caminhos para o fortalecimento da atuação social de Murialdo.
Além de reunir as diferentes unidades, o Seminário buscou fortalecer a compreensão de que atuar em rede significa reconhecer aquilo que une as diferentes realidades e, ao mesmo tempo, valorizar as particularidades de cada localidade. Atualmente, a Rede Murialdo está presente em 11 cidades de nove estados brasileiros, reunindo 13 unidades sociais e realizando 5.462 atendimentos diariamente, especialmente junto a crianças, adolescentes, jovens e famílias.
Ao longo dos três dias, o encontro reafirmou uma convicção que acompanha a trajetória de Murialdo: o carisma herdado de São Leonardo Murialdo encontra sua expressão concreta no cuidado com a vida, na educação, na proteção e na defesa da dignidade humana.
Na abertura do Seminário, Pe. Lídio Roman, Provincial dos Josefinos de Murialdo no Brasil, destacou a trajetória de uma missão iniciada por São Leonardo Murialdo e que continua viva por meio de religiosos, leigos, educadores, gestores e colaboradores que, em diferentes territórios, dão rosto ao carisma.
Ao recordar a dimensão humana presente nos números da Rede, Pe. Lídio ressaltou que os 5.462 atendimentos realizados diariamente representam histórias de vida que encontram acolhida, dignidade e oportunidades. Em sua fala, reafirmou ainda que transformar propósito em prática exige transformar o carisma em ação, a fé em serviço e a esperança em compromisso concreto com a proteção e a garantia de direitos. Ao final, convidou os participantes a fazerem do XIII Seminário um marco de unidade e renovação do propósito, mantendo vivo o sonho de São Leonardo Murialdo: “ne perdantur – que nenhum se perca”.
A abertura também foi marcada pela realização do Painel Dialogado “Propósito que gera futuro”, conduzido pela educadora social Stephany Monique Correa da Cruz de Londrina, juntamente com Maria Clara Alves Fernandes e Luciana Midorikawa de Brito, adolescentes e educandas da Ação Social Murialdo de Planaltina. O momento trouxe para o centro do encontro as vozes e experiências de quem vivencia cotidianamente a missão da Rede, reafirmando o protagonismo de crianças e adolescentes e a importância de sua participação nos espaços de diálogo e construção coletiva. Ao compartilharem vivências, percepções e perspectivas de futuro, as adolescentes ajudaram a tornar concreto o propósito que orientou o Seminário, recordando aos participantes que acolher, educar, proteger e garantir direitos também significa reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, assegurando espaços para que possam participar, expressar suas opiniões e contribuir para a construção dos caminhos que lhes dizem respeito.
Da realidade dos territórios à construção de respostas coletivas
A programação do XIII Seminário foi organizada para favorecer o diálogo entre a identidade institucional, os desafios contemporâneos das políticas sociais e as experiências vivenciadas diariamente nas obras.
As reflexões foram aprofundadas a partir de quatro grandes eixos: qualificação do atendimento; sustentabilidade e captação de recursos; gestão, governança, comunicação e impacto; e carisma, missão e incidência pública.
As discussões evidenciaram que os desafios enfrentados pelas organizações sociais exigem cada vez mais capacidade técnica, planejamento, sustentabilidade, formação permanente das equipes e articulação com as políticas públicas e com o Sistema de Garantia de Direitos.
Ao mesmo tempo, o Seminário reafirmou que a profissionalização da atuação social não significa abrir mão da identidade que historicamente inspira a presença de Murialdo junto às crianças, adolescentes, jovens e famílias. Ao contrário, carisma e garantia de direitos se encontram quando a missão se traduz em práticas qualificadas, éticas, responsáveis e comprometidas com a dignidade de cada pessoa.
Reflexões que provocaram novos olhares
A programação contou com importantes momentos formativos, entre eles as contribuições da advogada e pedagoga Angela Mendonça e do Secretário-Geral da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo), Pe. Victor Abreu, que ajudaram os participantes a ampliar o olhar sobre os desafios presentes e futuros da atuação social.
Angela Mendonça, diretora acadêmica da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB Paraná, é pedagoga pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), bacharel em Direito pelo UNICURITIBA, especialista em Direito Educacional e em Planejamento e Administração Escolar e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos da PUCPR. Qualificada em Escuta Especializada pela Childhood Brasil, também atua na coordenação e docência de cursos de especialização em Direito Educacional.
Sua contribuição possibilitou aprofundar questões relacionadas à proteção integral e à garantia de direitos de crianças e adolescentes, aproximando os fundamentos legais e conceituais das situações concretas enfrentadas diariamente pelos profissionais que atuam nos diferentes territórios da Rede.
Pe. Victor Abreu, por sua vez, conduziu uma reflexão sobre a familiaridade, dimensão profundamente vinculada ao carisma e à pedagogia de São Leonardo Murialdo. Sua contribuição ajudou a compreender a familiaridade como uma forma de presença que se expressa na proximidade, na escuta, no cuidado, na confiança e na construção de vínculos, elementos que atravessam a missão e encontram expressão concreta no cotidiano das obras sociais.
As palestras dialogaram com questões que atravessam o cotidiano das obras e provocaram os participantes a pensar sobre o papel das organizações sociais diante das transformações da sociedade, das novas vulnerabilidades, das mudanças nas relações sociais e familiares e dos desafios para assegurar proteção integral às novas gerações.
Mais do que oferecer respostas prontas, as reflexões abriram caminhos para perguntas fundamentais: como continuar cuidando com qualidade? Como tornar a missão sustentável? Como aprimorar a gestão sem perder a sensibilidade? Como comunicar melhor o impacto produzido? E como manter viva a identidade de Murialdo em permanente diálogo com as políticas públicas e com a garantia de direitos?
Crianças e adolescentes no centro da missão
Um dos aspectos marcantes do Seminário foi a reafirmação de que toda reflexão sobre gestão, sustentabilidade, planejamento ou identidade institucional precisa partir de uma questão essencial: para quem e por que realizamos nosso trabalho?
A resposta esteve presente de diferentes formas ao longo do encontro, especialmente na participação e no protagonismo de adolescentes e de pessoas cuja trajetória se encontra com a história das obras de Murialdo.
Suas vozes recordaram aos participantes que, por trás dos números, indicadores, projetos e relatórios, existem histórias, sonhos, potencialidades e direitos que precisam ser reconhecidos e assegurados.
É nesse compromisso que o propósito “Acolher e Educar Faz Vibrar o Coração” ganha concretude. Acolher não apenas como gesto de proximidade, mas como compromisso com a proteção. Educar não somente como transmissão de conhecimentos, mas como possibilidade de desenvolvimento integral, autonomia, participação e construção de novos projetos de vida.
Uma Rede construída por muitas mãos
A imagem das engrenagens, utilizada como elemento simbólico do XIII Seminário, ajudou a traduzir o sentido da experiência vivenciada em Brasília.
Assim como em uma engrenagem cada peça possui sua função e nenhuma funciona plenamente de forma isolada, a Rede Murialdo se fortalece quando suas unidades, profissionais, religiosos, educadores, gestores, parceiros e comunidades compreendem que fazem parte de uma missão compartilhada.
As realidades territoriais são diferentes. Os desafios também. Mas existe um propósito comum capaz de colocar essa grande engrenagem em movimento: promover dignidade, proteção, educação e oportunidades, especialmente para aqueles que se encontram em situações de maior vulnerabilidade.
Além disso, para formar e fortalecer a Rede, o evento contou com um espaço importante para a apresentação do site da Rede Murialdo de Assistência Social, a organização da marca, a plataforma de formações, entre outros que esteve a cargo de Julio César Rodrigues, da Equipe de Marketing do Murialdo.
Do diálogo ao compromisso
O Seminário também reservou um importante espaço para os Grupos de Trabalho, nos quais os participantes puderam analisar desafios, estabelecer prioridades e construir proposições para o futuro da Rede.
O resultado desse processo coletivo foi consolidado na Carta-Compromisso do XIII Seminário Nacional da Rede de Assistência Social Murialdo, documento construído a partir das contribuições dos participantes e apresentado ao conjunto da Rede.
Mais do que registrar as discussões realizadas em Brasília, a Carta representa o compromisso de transformar reflexão em ação. As proposições construídas coletivamente apontam caminhos para fortalecer a unidade da Rede, qualificar as práticas, ampliar sua sustentabilidade, aprimorar a gestão e reafirmar sua identidade e sua presença nos espaços de defesa e promoção de direitos.
Assim, o encerramento do XIII Seminário não representou o fim de uma programação, mas o início de uma nova etapa.
Cada participante retornou à sua unidade levando consigo o desafio de transformar os compromissos construídos coletivamente em práticas concretas no cotidiano das obras.
Porque uma Rede não se constrói apenas quando estamos reunidos. Ela se constrói todos os dias, quando compartilhamos responsabilidades, conhecimentos, desafios e esperanças; quando cada unidade reconhece que faz parte de algo maior; e quando o propósito que nos une se torna prática na vida daqueles que encontramos pelo caminho.
Inspirados por São Leonardo Murialdo e por sua confiança na Providência, seguimos fortalecidos pela certeza que acompanhou nossa caminhada: “Estamos nas mãos de Deus, estamos em boas mãos.”
O XIII Seminário Nacional encerrou-se, mas a missão continua. E continua onde ela sempre encontrou seu sentido mais profundo: na vida das crianças, adolescentes, jovens e famílias que nos sãos confiados e no compromisso cotidiano de fazer bem o bem.